mamâe e bebê

Sou a mãe do Nicolas, não tem nada que me descreva melhor do que isso. Sou também fisioterapeuta, especialista em neurologia e instrutora de pilates.

Hoje em dia sou mãe em período integral, tenho ele comigo 24 horas por dia, ele me acompanha em todas as minhas outras funções, que são administrar um estúdio de pilates, o Studio KaPri e ser fisioterapeuta, minha outra grande paixão. 

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Embolia pulmonar - relato de caso

Recebemos uma história cheia de superação, da Roberta Righetti, ela nos conta sobre uma gravidez inesperada e um pós parto com muita complicação. Aqui vale o alerta pra sempre ficarmos atentas com nosso corpo, por mais exaustivo que sejam os primeiros dias, tem sintomas que merecem nossa total atenção.


"Eu tinha 32 anos quando engravidei, minha primeira gestação e foi uma tremenda surpresa pois eu estava sem menstruar há 4 meses quando tive uma única relação desprevenida (Eu sempre fui muito cuidadosa, tomava meu remédio todos os dias e usava camisinha também. Mas em Agosto de 2015 eu resolvi aproveitar que eu estava totalmente sozinha para trocar o meu anticoncepcional, em Setembro de 2015 minha menstruação parou de vir, então eu não pude começar uma nova cartela do anticoncepcional e fiquei esperando a menstruação vir para eu começar o anticoncepcional novo, Outubro nada, Novembro nada, Dezembro nada. Aí resolvi ir na minha ginecologista pra ver o que estava acontecendo. No próprio consultório ela fez uma ultra e de fato não havia nenhum sinal de menstruação à vista, fiz os exames de sangue no dia seguinte, dia 13/12/2015 mas por causa dos hormônios.

O exame demorou a ficar pronto. No dia 15/12/2015 eu me encontrei com o pai da minha bebê, já nos conhecíamos há 3 anos e meio, estávamos brigados desde Agosto, acabamos fazendo as pazes nesse dia e fizemos nossa filha junto!

Eu costumo dizer que minha bebê não foi planejada por mim, mas foi planejada por Deus! Enfim pequei o resultado do exame de sangue e fui na ginecologista entre o Natal e o Ano Novo e pelos meus exames hormonais, eu aparentava um quadro de menopausa precoce eu fiquei arrasada! Eu tinha 32 anos, solteira e em processo de menopausa precoce, ali eu vi o meu sonho de ser mãe indo embora (Eu nem imaginava que já estava com meu pacotinho dentro de mim!).

A doutora passou mais exames, mas deixei para fazê-los depois da virada de ano que foi uma das mais tristes da minha vida, eu passei chorando, triste achando que eu nunca seria mãe! Enfim dia 07/01/2016 fui fazer a transvaginal e lá veio o susto:

Tinha um saco vitelino no meu útero!!! COMO ASSIM?!?! kkkkk Eu não sabia se chorava de desespero ou de alegria!!! Se eu seguisse com a gestação eu tinha consciência absoluta de que seria mãe solteira, desempregada, por outro lado eu sempre fui contra o aborto e eu não podia jamais desperdiçar a oportunidade que Deus estava me dando de realizar meu sonho!!!

Mesmo sem hormônios suficientes o embrião se prendeu na parede do meu útero e se desenvolveu!!! Eu não tinha o menor direito de interromper os planos de Deus pra minha vida! Conversei com a minha mãe e ela me deu total apoio! Saí da clínica e fui na minha ginecologista, fui correndo fazer o beta e o exame da progesterona. O beta deu positivo e a progesterona estava baixa demais, menos da metade necessário para que o óvulo se desenvolva. Comecei no mesmo dia a repor progesterona!

Com 2 meses e 20 dias de gestação minha taxa hormonal de progesterona finalmente normalizou!!! E tive uma gestação super normal! Bastante enjoo nos primeiros 4 meses e bastante azia nos 3 últimos meses!!! Mas nenhum sangramento!!! Nada! Com 34 semanas comecei a ter contrações e fui monitorando e controlando com dipirona até completarmos 38 semanas, quando a obstetra achou mais prudente marcar a cesária, eu queria muito parto normal mas não foi possível!

No dia 19/08/2016 nasce a minha Picuchinha

No dia 01/09/2016, meu aniversário, lá pelas 21hrs, eu comecei a sentir uma dor muito forte na coxa direita, próximo da virilha, uma dor forte demais, queimando muito e dificultando até pra eu andar mas eu achei que fosse muscular, que eu tivesse dado mal jeito ao levantar, era sexta à noite, estávamos só eu, minha bebê de 13 dias de vida e minha mãe que tem a saúde debilitada (Tinha feito angioplastia há 09 meses na época!).

Eu aguentei a dor, que madrugada, inesquecível, muita dor! Eu costumo dizer que eu sou forte e resistente à dor, mas meu corpo foi testado ao extremo e não aguentou!

Minhas duas pernas estavam extremamente inchadas também muito mesmo, ao ponto de sentir dor e sentir a pele esticando. Falei na época com a obstetra e ela apenas passou um creme pras pernas e colocar os pés pro alto. A minha cirurgia também doeu muito e os peitos também doíam demais pra amamentar! Fiquei com os Bicos esfolados pois demorei uns 5 dias pra produzir leite.

Enfim era dor pra tudo que era lado! Mas a pior de todas foi a da perna, aquela madrugada eu chorei, de dor, de desespero, de solidão. Minha bebê só dormiu no colo e comigo andando, fora isso ficava chorando, minha mãe toma remédio pra dormir, então não podia ficar acordando de noite e ela chorando acabava acordando a minha mãe, enfim a dor na perna era forte demais, a dor mais forte q eu já senti eu sabia q tinha alguma coisa errada mas nem passou pela minha cabeça que poderia ser uma trombose!

Sábado de manhã meus primos vieram pra nos ajudar, eles passavam o dia conosco, aí um primo meu me deu uma massagem na perna com gel e minha prima ficou com minha bebê, pra que eu pudesse descansar pois eu não tinha dormido absolutamente nada naquela noite e eu estava exausta não só por não ter dormido, por conta da dor mesmo. A dor aliviou e eu consegui dormir! Isso era umas 9h da manhã, quando foi umas 11h30 eu levantei super apertada pra fazer xixi, fiz xixi, me limpei e quando fui levantar do vaso do nada, de repente me deu um ataque de tosse sem parar, comecei a sufocar, parecia que minha garganta estava fechando. Eu me sentia sufocando, de tanto tossir me deu ânsia de vômito, vomitei muita água, eu precisava de vento no rosto, eu tava sufocando. Quando cheguei na porta do banheiro vi tudo ficando preto, eu percebi que eu ia desmaiar. Fiquei com medo que se eu desmaiasse eu não acordaria mais, tava tudo girando e ficando preto.

De repente começou a descer uma dor forte do meu ombro esquerdo em direção ao meu cotovelo! Eu pensei: tô infartando! Minha bebê dormia no carrinho dela ao lado da minha cama perto da porta do quarto, eu então fixei meu olhar nela e comecei a orar, implorei a Deus que permitisse que eu ficasse pra cuidar dela, me agarrei na porta pra não cair e clamei a Deus pela minha vida.

Eu juro que vi a morte na minha frente mas eu me recusei a ir embora e deixar minha filha sozinha! Então aos poucos a visão foi clareando, mas eu continuava tonta e sufocando! Eu tentei gritar por ajuda mas não tive fôlego, eu tentava falar me atacava a tosse. Eu fui pro quarto da minha mãe e liguei o ventilador em cima do meu rosto, aí que eu comecei a respirar um pouco.

Nisso meu primo chegou e eu consegui pedir à ele um pouco de água gelada, meu outro primo já vinha subindo as escadas com a água pra mim (aqui em casa são 2 andares, os quartos ficam em cima) e ficou apavorado quando me viu, pois diz ele que eu estava totalmente sem cor no rosto, nem branca eu estava.

Conforme fui ficando na frente do ventilador e bebia a água a tosse foi passando e aos poucos fui respirando, com bastante dificuldade, como se eu estivesse bastante cansada, aí ele me ajudou a ir pra minha cama pra ficar pertinho da minha bebê que já tava dando o horário dela mamar...

Como a dor no braço passou, a tosse também (Eu só não podia falar muito) e só ficou a sensação de cansaço eu pensei que pudesse ainda ser reflexo da noite mega estressante que eu tive, então fui dormir mais um pouco. na verdade eu não queria me afastar da minha bebê. Ela só tinha 14 dias de nascida, eu não queria continuar dando fórmula pra ela, como eu demorei a ter leite tive que intercalar nos primeiros dias o peito com a mamadeira e eu finalmente estava reduzindo as mamadeiras.

Lógico que minha família queria que eu fosse pro hospital mas eu queria dormir mais um pouco e se eu acordasse com a falta de ar aí sim eu iria pro hospital e assim eu fiz! Acordei umas 19h, dormi bastante, minha prima deu a mamadeira pra minha bebê, acordei me sentindo bem, levantei pra ir no banheiro, fiz xixi e quando eu comecei a falar a falta de ar voltou! Liguei pro meu pai que mora num bairro próximo e ele me levou na UPA da cidade lá não tinha como fazer exames avançados, mas minha pulsação estava à 140 batimentos por minuto, o médico ficou em dúvida entre ser uma crise de ansiedade ou algo mais sério, mas me deu um remédio pra desacelerar o coração e passou nebulização com um bronquiodilatador (o que provavelmente salvou a minha vida). Voltei no doutor que me atendeu, meus batimentos estavam a 130bpm e minha pulsação continuava oscilando, ele queria me deixar em observação e me dar um remédio mais forte pro coração mas meus peitos já estavam vazando e doendo de tão cheios.

Eu quis voltar pra casa, passaria a noite com ela e de manhã então eu iria pra um hospital em Niterói-rj (moro na cidade de Maricá que possui apenas 01 hospital público em péssimas condições) e assim fizemos, voltei pra casa, fiquei com minha pequena, tivemos uma noite mais tranquila. Isso foi no dia 02/09/2016. No dia 03, domingo, eu almocei e fui pra Niterói, eu mal conseguia andar sem ficar ofegante, cansada e com falta de ar.

Dei entrada na emergência às 15h da tarde, eu só fui ser diagnosticada e internada às 23h30 da noite e graças à outra médica plantonista, não à médica que me atendeu!!! Deus é Fiel demais! Nesse mesmo hospital, 1 mês antes, uma menina também no pós parto, no puerpério, funcionária do hospital, tinha dado entrada com os mesmos sintomas que os meus, essa outra médica que estava de plantão que atendeu ela e alertou a médica que estava me atendendo que o meu caso poderia ser uma Trombolite Pulmonar, uma Embolia Pulmonar. Eu demorei muito tempo pra ser internada, pois o meu primeiro exame de sangue as taxas das enzimas do coração e dos pulmões deram altas demais, muito altas mesmo, então ela repetiu pra poder comparar mas ela foi tão falha que não me deu medicação nenhuma! Quando enfim ela me chamou de volta no consultório, ela apenas me falou que tinha dado uma alteração no meu sangue e que eu teria que me internar pra poder fazer uma angiotomografia com contraste, que por eu ter sensibilidade à iodo, eu teria que tomar uma medicação na veia e pra isso eu teria que me internar.

Óbvio que eu tentei negociar (Meus seios doíam demais!!!) Queria ir pra casa amamentar minha pequena e voltar de manhã pra fazer o exame! Foi aí que ela disse que minhas taxas tinham dadas altas demais! Mas até então eu nem sequer sabia do que se tratava, eu tava achando que eu tinha tido um infarto ou algo parecido!

Às 22h mais ou menos me despedi do meu pai e entrei pra área restrita da emergência e sentei onde os pacientes tomam medicação, tomei minha primeira medicação e fui no banheiro ordenhar meus peitos.

Quando foi 23h30 a enfermeira chefe percebeu que eu ainda estava sentada e sem a ordem de internação, me chamou, me levou até à médica, deu um esporro na médica na minha frente e foi nesse momento que eu soube que eu estava sendo internada no CTI da Emergência com princípio de infarto e suspeita de Trombolite Pulmonar.

Me colocaram no oxigênio mas como a minha saturação estava normal não foram tão rigorosos, só minha pulsação e meus batimentos cardíacos que continuavam alterados.

Na manhã seguinte, fui fazer a angiotomografia, tiveram que repetir o exame pra confirmarem o resultado também, pois não condizia com o meu quadro clínico.


Eu tinha tido um princípio de infarto causado pela Trombolite Bilateral Maciça em 80% dos meus pulmões, traduzindo 80% das veias dos meus dois pulmões ficaram completamente entupidas por fragmentos de uma trombose, as taxas das enzimas dos meus pulmões chegaram à mais de 15.000 sendo que o limite máximo aceitável é 500.

Eu tinha nascido de novo

Os médicos entravam na minha cabine no CTI olhavam meus exames e me olhavam e só falavam assim: "pelos os seus exames era pra você ter ido à óbito! É biologicamente impossível uma pessoa com exames iguais ao seu estar viva! Estou olhando para um milagre vivo!"

Eu tive muita "sorte", muita "proteção", muita "fé " mas outras mulheres podem passar pela mesma situação e não terem a mesma sorte, cirurgias abdominais aumentam o risco de tromboses, descontrole hormonal também pode causar trombose e muito pouco se fala sobre isso nas mídias digitais que orientam mães, nem nas grandes mídias se fala sobre isso.

Eu fiquei internada 14 dias! Tive alta um dia antes da minha bebê completar seu primeiro mês de vida!!! O que os médicos também consideraram um milagre, pois a outra menina que ficou internada e teve 35% de apenas 1 pulmão afetado ficou 1 mês internada!!! Mas a minha vontade de voltar pra casa pra ficar com a minha Picuchinha era muito maior que tudo!!!


Eu costumo dizer que a minha filha me fez renascer 2 vezes, primeiro ela me fez renascer como pessoa, como mulher, fez nascer uma mãe em mim! E segundo ela me fez vencer a morte pra estar com ela!



Foram 2 anos de muito sofrimento! A recuperação não foi fácil, muitas dores nos pulmões, várias idas à emergência por conta de inflamações nos pulmões, muito remédio e remédios caros (meu estômago nunca mais foi o mesmo), por causa do remédio que me deram eu tive que parar de amamentar (confesso que doeu tanto quanto a dor da perna), eu sentia muita tontura, engordei mais de 20kg, eu não aguentava ficar muito tempo com minha bebê no colo mas eu insistia, eu nunca me entreguei, nem mesmo quando a depressão falou mais alto, eu q cuidava dela, fazia o máximo que eu aguentava!

Hoje estou voltando aos poucos a recuperar a minha vida e a minha saúde! Eu já tô até aguentando nadar!!! Essa hoje está sendo a minha maior Vitória e sei que ainda tenho vários desafios a vencer, mas sei que vou conseguir!!!

Minha Picuchinha é uma bênção na minha vida!!! Meu melhor presente!!! Minha maior riqueza! Minha princesa!

Mas se não fosse Deus, eu não estaria aqui, eu sofri várias imprudências médicas, não fui atendida corretamente e nem tratada adequadamente pela maioria dos médicos e como eu nunca tinha ouvido falar sobre trombose ou sobre Embolia Pulmonar eu não tomei as atitudes corretas e tive q contar com a proteção divina para poder estar viva hoje!!!"


Incrível né, quanta força, quanta superação. Parabéns Roberta pelas suas conquistas diárias, obrigada por dividir conosco esse relato sensacional que tenho certeza poderá ajudar outras pessoas também e parabéns pela sua filhota linda, a Anna Clara.


E você, gostaria de dividir sua história conosco?