mamâe e bebê

Sou a mãe do Nicolas, não tem nada que me descreva melhor do que isso. Sou também fisioterapeuta, especialista em neurologia e instrutora de pilates.

Hoje em dia sou mãe em período integral, tenho ele comigo 24 horas por dia, ele me acompanha em todas as minhas outras funções, que são administrar um estúdio de pilates, o Studio KaPri e ser fisioterapeuta, minha outra grande paixão. 

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Quando a amamentação não dá certo - relato de caso

Aqui contaremos a história da Thaís, eu a conheço da faculdade e sabia que ela tinha trabalhado com UTI Neonatal, então quando vi que precisou dar a mamadeira sabia que não tinha sido por falta de informação e pedi que ela nos escrevesse contando um pouquinho como tudo aconteceu.

"A Pri me pediu pra escrever um pouco da minha experiência de “amamentação” pra vocês... vamos lá... Eu sou fisioterapeuta, já trabalhei por 3 anos em UTI neonatal de um hospital municipal, que tem o certificado de “hospital amigo da criança” que no final das contas significa: parto normal, amamentação no peito e nada de chupeta/ mamadeira ou afins.


Desde que trabalhei nesse hospital muitos conceitos, preconceitos e pensamentos mudaram muito dentro de mim. E depois que virei mãe, mudaram todos de novo, vou explicar.

Três anos após os anos que trabalhei nesse hospital “amigo da criança”, engravidei. Engravidei, engordei (mais que os 9 kgs, tão falados pelos obstetras) e sempre dizia, meu filho vai mamar no peito, exclusivamente, até os seis meses de vida, claro, já tinha feito milhares de cursos que diziam sempre os benefícios do leite materno e o quão completo é. E assim, o fiz ou faria, até os primeiros dois dias de vida do meu bebê! Isso mesmo, dois dias. Meu filho nasceu em uma maternidade super conceituada de São Paulo, que eu escolhi não pela super estrutura e hotelaria (sim, parece um hotel!) mas pela UTI neonatal! Engraçado que quando fui visitar a maternidade ouvia futuras mães perguntando do quarto, da comida, de quantas pessoas podem visitar e a louca aqui, perguntando das uti’s.


Bom, voltando, meu filho nasceu no dia em que completou 39 semanas, de parto cesárea, marcado (assisti muitos partos normais no hospital que trabalhei pra ter coragem, curiosidade ou qualquer tipo de sentimento bom pelo parto “normal”), nasceu super bem, “pegava” super bem meu peito, e “mamava” que era uma beleza... achava eu!

Na primeira noite, chorou a noite toda, eu achando que era normal, “a criança tá se adaptando a esse mundo”. Durante o outro dia, dormiu, nossa, como dormiu e eu achei melhor me “prevenir” e pedi uma chupeta pra noite que viria. Chegou a noite, ele pegou a chupeta (ufaaaa!) e dormiu! No segundo dia, eu estava de alta, meu filho foi pro exame do pediatra, demorou e o pediatra apareceu no meu quarto: ele disse que meu filho era saudável, estava bem, mas havia tido uma “intercorrência” e meu filho precisava ir pra uti! Meu mundo foi abaixo, eu, que trabalhei por tantos anos em uti, encorajei tantas mães, pais, parentes, com as palavras “ uti eh só um setor em que seu parente estará mais bem cuidado, com profissionais 24 hrs por dia, eh o lugar mais seguro de um hospital”, eu me vi ali precisando ser amparada! Meu filho recém nascido estava indo pra uti, e porque? Por hipoglicemia (pouco açúcar no sangue), causado pela falta de leite, eu não produzi leite o suficiente pra amamentar meu filho, ele estava indo pra uti pra tomar soro glicosado, porque a fórmula, a uma altura daquelas não faria efeito e assim foi, ele pra uti e eu junto com ele! Lá me disseram que eu teria que ir até o banco de sangue, começar a estimular pra produzir e tirar leite, e que eles complementariam com a fórmula e eu fui com a “esperança” de que produziria leite e o amamentaria, até não precisar mais de fórmula!

Mas a vida não eh assim! Por mais que eu estimulasse, não produzi leite, e meu bezerrinho mamava a cada dia mais, a fórmula! A bendita fórmula! Graças a Deus! Meu filho passou sete longos dias na uti neonatal (e que uti!! Excelentes profissionais, sou eternamente grata!) e tivemos alta (eu já estava de alta, mas não me sentia, até a alta do meu filho) nunca vou me esquecer, o melhor dia da minha vida, o dia em que o pesadelo acabou! Saímos do hospital com a receita da fórmula, e ainda assim, comprei a bombinha, queria amamentar!

Passei no pediatra e ele me disse, vamos tentar sim, mas se não conseguir, tudo bem, da a fórmula!

Mamães.. eu não consegui! Não produzi leite, dei/ dou a fórmula. Meu filho é super saudável, dorme muito bem, obrigada, teve cólicas apenas umas 3 vezes e é super feliz! Já está com 7 meses, agora com papinha salgada! Não é gordo, não é magro, não é chorão, dorme bem, tem o desenvolvimento além do esperado pra idade dele, NUNCA ficou doente!


A gente ouve que o leite materno previne disso , daquilo, que evita isso, que protege daquilo... sim, o leite materno é maravilhoso, mas se você não tiver como dar o peito, TUDO BEM! As fórmulas de hoje em dia são super completas... ahhhh, mas e o vínculo?? O vínculo que só o amamentar proporciona??? Balela... o vínculo vem através do amor e o amor não está no leite, no bico do seu peito ou na mamadeira... o amor está no seu coração e no do seu bebê! O vínculo vem também nas trocas de fraldas, nas músicas que você canta pra ele dormir, nos olhares, nos banhos, nas noites em claro. Ahhh e os anticorpos... anticorpos são passados desde a gestação, anticorpos são passados quando ele convive com outras pessoas no mundo aqui fora, quando você vacina seu bebê!

O que quero dizer é... se você teve parto normal, amamentou por 15 anos, ótimo! Se você teve cesárea, deu fórmula, papinha Nestlé, ótimo também! O que importa é você dar amor ao seu filho, dar educação, dar atenção, a forma como isso será oferecido a ele é o que menos vai importar. Apenas faça e faça bem feito, com muito amor e sem receios, sem cobranças... você será sempre a melhor mãe que pode ser e será mais do que suficiente para o seu filho! Ame seu filho, se ame... não dê ouvidos, não de atenção a tantas “cobranças” e “palpites” desse mundo “moderno”, desse mundo de “mães exemplares” !

Fórmula salva vidas, de filhos e mães! Amamentar é lindo, desde que vocês estejam bem! E mamadeira não eh sentença de morte! Parto cesárea não é “ luxo” ou “conveniente” é escolha... da mãe ou do médico... é segurança, as vezes, a única opção! Menos julgamento e mais amor!"

Thais de Angelo Lima




Tha, obrigada por compartilhar conosco sua experiência, temos tantos julgamentos e pouco conforto que ler um texto desse é como se sentir abraçada, seja qual for sua escolha ou necessidade, faça o seu melhor o tempo todo e só você sabe qual é o seu melhor, não é a vizinha que amamentou até 3 anos, ou a tia que deu fórmula desde o primeiro dia, só você é capaz de fazer as escolhas da sua vida e do seu filho, faça o que for necessário ou escolhido e fique em paz com elas. Mães antes de julgar outras mães pelas suas escolhas tentem entender a história delas.


E você gostaria de compartilhar sua história?? nos envie um relato contando sua superação que tenho certeza será capaz de ajudar outras mamães também.